Em 2010, a cada hora foram 12 internações por interrupção provocada da gravidez
Fernanda Aranda, iG São Paulo
A interrupção da gravidez provocada – sem ser a espontânea ou por motivos médicos – é um dos procedimentos que mais ocupa leitos dos serviços públicos e privados na área de saúde da mulher.
Nos seis primeiros meses de 2010 foram 54.339 internações por este tipo de ocorrência, uma média de 12 casos por hora.
Os números registrados entre janeiro e julho são 41% superiores à soma de internações por câncer de mama e câncer de colo do útero (38.532), duas doenças consideradas pelos governos federais, estaduais e municipais como grandes desafios de assistência ao sexo feminino.
Custos
O levantamento, feito pelo Delas no banco virtual do Ministério da Saúde, mostra ainda os custos do aborto provocado considerado crime pela legislação brasileira. No período analisado, foram gastos R$ 12,9 milhões para internar mulheres com hemorragias, infecções ou perfurações desencadeadas após o procedimento realizado em clínicas clandestinas. Para chegar ao dado, a reportagem excluiu do mapeamento o total de internações por "aborto espontâneo" (66.903 registros em seis meses) e "aborto por razões médicas" (905). Só foi considerada a categoria "outras gravidezes que terminam em aborto".
“São dados que mostram como a criminalização e a manutenção do aborto na clandestinidade são ineficazes do ponto de vista da saúde”, afirma o médico Thomaz Gollop, diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Grupo de Estudo sobre o Aborto (GEA), que reúne médicos, psicólogos e juristas.
“Ainda que a legislação faça com que estas mulheres não possam ser atendidas incialmente nos hospitais (para a realização do aborto) elas chegam depois, machucadas e em estado grave de saúde. Em Pernambuco, o aborto é a principal causa de morte”, diz Gollop, ao explicar porque considera a legislação atual um contrassenso.
Outros números
Além das internações por interrupção provocada da gravidez, outros números conseguem mapear a extensão do aborto no Brasil. Quando o procedimento não é completo, as mulheres submetidas a ele precisam recorrer a alguma unidade de saúde para fazer a curetagem – sucção de restos da placenta, do embrião ou do feto.
Segundo um estudo divulgado pelo Instituto do Coração (Incor) – divulgado este ano – a curetagem é o procedimento hospitalar mais realizado no País. Em média, são feitas 250 mil por ano, em valores que superam R$ 30 milhões.
No banco de dados do Ministério da Saúde, as notificações mostram que as curetagens são numerosas também no sistema privado de saúde. Das 110.483 feitas nos seis primeiros meses de 2010, 45.847 foram em unidades particulares (41,4% do total).
“O que precisa ser levado em conta é a diferença entre a condição de saúde das mulheres que chegam às unidades privadas de saúde e das que chegam às públicas”, afirma Margareth Arrilha, diretora da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), ligada ao Centro Brasileiro de Análise de Planejamento (Cebrap).
Segundo ela, a experiência mostra que as pacientes da rede pública chegam com sequelas mais graves, em decorrência dos procedimentos mais inseguros, feitos em locais sem a menor garantia de higiene ou pela ingestão de medicamentos sem qualidade.
Remédios falsificados
De acordo com as pesquisas, seminários e levantamentos feitos pela CCR, metade dos abortos realizados no País acontece por meio do uso de medicamentos. Neste processo, avalia Margareth, o procedimento que já acontece de forma insegura fica ainda mais perigoso. “As drogas são adquiridas em camelôs ou produzidas em indústrias de esquina”, diz.
As operações realizadas este ano pelo Ministério da Justiça, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que 42% dos 700 estabelecimentos fiscalizados este ano (drogarias, farmácias, laboratórios e academias) vendiam medicamentos falsos, contrabandeados ou sem procedência duvidosa. No total, foram apreendidas 60 toneladas de cápsulas. Apesar de não existir um ranking da classe destas drogas clandestinas, é sabido pelos técnicos que participam das fiscalizações que os abortivos – ao lado dos usados para disfunção erétil – são os mais falsificados e os mais vendidos ilegalmente.
As mulheres
O Ipas – entidade não governamental que atua na América Latina em favor dos direitos reprodutivos da mulher – fez uma pesquisa para traçar um perfil das que compram estes remédios ou fazem aborto no Brasil. Em sua publicação “O impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres e nos serviços de saúde em cinco Estados brasileiros” uma enquete foi aplicada a 2.002 mulheres, de 18 a 39 anos.
Das entrevistadas, 15% declaram já ter feito um aborto alguma vez na vida. “Projetado sobre a população feminina do País nessa faixa etária, que é de 35,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número representaria 5,3 milhões de mulheres”, diz a publicação. Segundo o texto, o perfil é "de casadas, com filhos e religião".
O aborto é criminalizado no Brasil desde a legislação de 1940. No Sistema Único de Saúde (SUS) mulheres vítimas de violência sexual podem fazer o chamado aborto legal. A Igreja Católica e algumas alas da Evangélica recriminam a prática independentemente da circunstância da fecundação.
No ano passado, em Recife, uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos após abusos do padrasto realizou o aborto legal. Na época, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão da garota, da mãe e dos médicos que atenderam a menina. O estuprador não foi excomungado. Pouco tempo depois, o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, anunciou que a intenção era apenas chamar a atenção para um fato relevante e que uma excomunhão não significa uma condenação eterna.
Terra e Céu
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
PRECE AO ORIXÁ XANGÔ
Meu Pai Xangô, que venha a nós, seu povo, a sua grandeza, porque é o Senhor, Deus da Vida e da Justiça que nos mantém firmes, que nos mantém de pé.
Que um dia, ainda nesta terra, possamos nós, pobres mortais, alcançar a união que o Senhor tanto prega, que possamos ver a todos como irmãos, que sejamos capazes de compreender uns aos outros, mesmo com todas as nossas fraquezas e limitações.
Que sejamos justos, para que a sua justiça permaneça sempre a nosso favor.
Que o Senhor, com seus braços fortes derrube toda forma de poder concebido da injustiça.
Que o Senhor derrube todo egoísmo, toda maldade e a intolerância que estão destruindo o mundo.
Protege seu povo da crueldade dos prevalecidos.
Confiamos no Senhor, meu Pai Xangô.
O REI NÃO MORREU. OBÁ EXÉ KAWÔ KABIESÍ - REI, VENHA A NÓS A SUA GRANDEZA, SEMPRE.
Prece inspirada no Orixá OBÁ KOSSO.
Autoria: Doté Heraldo de Xangô
Que um dia, ainda nesta terra, possamos nós, pobres mortais, alcançar a união que o Senhor tanto prega, que possamos ver a todos como irmãos, que sejamos capazes de compreender uns aos outros, mesmo com todas as nossas fraquezas e limitações.
Que sejamos justos, para que a sua justiça permaneça sempre a nosso favor.
Que o Senhor, com seus braços fortes derrube toda forma de poder concebido da injustiça.
Que o Senhor derrube todo egoísmo, toda maldade e a intolerância que estão destruindo o mundo.
Protege seu povo da crueldade dos prevalecidos.
Confiamos no Senhor, meu Pai Xangô.
O REI NÃO MORREU. OBÁ EXÉ KAWÔ KABIESÍ - REI, VENHA A NÓS A SUA GRANDEZA, SEMPRE.
Prece inspirada no Orixá OBÁ KOSSO.
Autoria: Doté Heraldo de Xangô
Nação Afro-Brasileira
A Nação Afro-Brasileira nada mais é do que a união de todas as Nações provenientes da África e das demais denominações espíritas que surgiram em solo brasileiro, com o objetivo de cultuarmos nossas Divindades de acordo com a nossa realidade cultur al. Para ser mais sucinto, eu diria que a nação Afro-Brasileira é o "jeito" brasileiro de cultuar as Divindades africanas.
No Brasil o Candomblé é praticado de forma totalmente diferente da África. Para começar não temos como nos dividir em tribos e cultuar uma Divindade diferente em cada uma delas. Sou de Xangô e em minha casa acolho os filhos de todas as Divindades, e provenientes de qualquer nação. Por ser Djedje não vou desprezar um filho de Angorô se a Divindade pedir a minha mão. Simplesmente vou buscar os fundamentos da Nação de Angola para que o filho possa ser iniciado. Em minha casa tenho vários filhos de Odé, e todos nós sabemos que Odé vem da nação Ketu. Canto para Odé, assim como canto para Aganga Otolu, seja de xangô, seja de Sogbô, seja de Oyá, seja de Vodunjó, o importante é que a Divindade fique satisfeita.
Precisamos exaltar aquilo que temos em comum, e aprender a trabalhar com nossas diferenças, de modo que elas venham a enriquecer a nossa vida espiritual e, não nos dividir. Seremos mais fortes a partir do momento em que estivermos unidos.
Sejamos Djedje, Nagô, Angola, Ketu, Umbanda; o que podemos é esquecer que somos brasileiros, e se as Divindades que cultuamos se adaptaram a nossa realidade (falam português; aceitam ser assentadas em barro e louça, ao invés de árvores, aceitam elementos que não existem na Africa, por que nós não podemos adaptar o culto a nossa realidade, sem desprezar, obviamente, o que é fundamental?
Primeiros passos para a instituição da nação Afro-Brasileira: O primeiro passo para a instituição da nação Afro-Brasileira é sem dúvida a conscientização. Devemos nos conscientizar de que somos um povo, ou melhor, somos O POVO escolhido pelas divindades e entidades, por tanto, temos uma missão a ser cumprida nesta terra, está muito equivocado quem pensa que esta missão passa somente pelo lado espiritual. Nenhuma divindade fica feliz ao ver seu filho passando fome, sem ter onde morar e sem ter o que vestir. Temos que lutar pelo nosso espaço. O “povo de santo” não tem que ficar confinado aos guetos! Vamos mostrar nossa cara, mas vamos mostrá-la com dignidade e com seriedade. Nossa religião não é folclore.
Segundo passo :é a união. Precisamos nos unir, ver o que temos em comum,procurar corrigir o que possamos estar fazendo de errado, precisamos ter humildade para procurar uns aos outros, pedir ajuda, orientação. Precisamos entender que abaixo de Olorum, todos nós somos filhos. Deixemos de lado nossas vaidades para que possamos usufruir tudo de bom que as divindades tem para nos oferecer.
O Terceiro passo :seria a legalização dos templos espíritas, para que assim todos os irmãos possam usufruir dos benefícios que uma instituição devidamente legalizada pode nos trazer.
Por que instituirmos a “Nação Afro-brasileira?” Desde o início dos tempos o homem deu ao criador diversos nomes : Olorum, Geová , Javé , Alah , Deus e tantos outros. No Brasil –país que em sua formação teve influência européia, africana e indígena encontramos diversos seguimentos religiosos, conseqüentemente, diversos nomes para O CRIADOR. O que não podemos esquecer é que O CRIADOR é um só, nós é que lhe damos nomes de acordo com a nossa fé, e temos que observar que perante à ele somos todos irmãos. Todos nós , filhos do criador, temos um poder que pode nos libertar de todos os problemas relacionados a questões espirituais e de muitos problemas ligados a questões materiais. Este poder está intimamente ligado à nação Afro-brasileira. Estou falando de Odus, estou falando de divindades e entidades –Todos nós já ouvimos falar de Caboclos e outras entidades que com “passes” ou com remédios feitos de ervas curaram pessoas de doenças graves; todos nós já ouvimos falar de operações invisíveis, e quantos de nós já tivemos grandes conquistas após nos submetermos a ebós de Odus? Por que desprezar colaborações que podemos obter de outros segmentos religiosos?
O objetivo da nação Afro-brasileira é somar. Divididos nós já estamos, e por conta disso não temos toda força que poderíamos ter. Está na hora dos irmãos candomblecistas, umbandistas, Kardecistas , enfim, todos que se dizem espíritas, investirem na institucionalização da nação Afro-brasileira, pois só assim teremos força para mostrar ao mundo quantas coisas boas temos para oferecer.
Acé nú wé (paz e luz sempre)
No Brasil o Candomblé é praticado de forma totalmente diferente da África. Para começar não temos como nos dividir em tribos e cultuar uma Divindade diferente em cada uma delas. Sou de Xangô e em minha casa acolho os filhos de todas as Divindades, e provenientes de qualquer nação. Por ser Djedje não vou desprezar um filho de Angorô se a Divindade pedir a minha mão. Simplesmente vou buscar os fundamentos da Nação de Angola para que o filho possa ser iniciado. Em minha casa tenho vários filhos de Odé, e todos nós sabemos que Odé vem da nação Ketu. Canto para Odé, assim como canto para Aganga Otolu, seja de xangô, seja de Sogbô, seja de Oyá, seja de Vodunjó, o importante é que a Divindade fique satisfeita.
Precisamos exaltar aquilo que temos em comum, e aprender a trabalhar com nossas diferenças, de modo que elas venham a enriquecer a nossa vida espiritual e, não nos dividir. Seremos mais fortes a partir do momento em que estivermos unidos.
Sejamos Djedje, Nagô, Angola, Ketu, Umbanda; o que podemos é esquecer que somos brasileiros, e se as Divindades que cultuamos se adaptaram a nossa realidade (falam português; aceitam ser assentadas em barro e louça, ao invés de árvores, aceitam elementos que não existem na Africa, por que nós não podemos adaptar o culto a nossa realidade, sem desprezar, obviamente, o que é fundamental?
Primeiros passos para a instituição da nação Afro-Brasileira: O primeiro passo para a instituição da nação Afro-Brasileira é sem dúvida a conscientização. Devemos nos conscientizar de que somos um povo, ou melhor, somos O POVO escolhido pelas divindades e entidades, por tanto, temos uma missão a ser cumprida nesta terra, está muito equivocado quem pensa que esta missão passa somente pelo lado espiritual. Nenhuma divindade fica feliz ao ver seu filho passando fome, sem ter onde morar e sem ter o que vestir. Temos que lutar pelo nosso espaço. O “povo de santo” não tem que ficar confinado aos guetos! Vamos mostrar nossa cara, mas vamos mostrá-la com dignidade e com seriedade. Nossa religião não é folclore.
Segundo passo :é a união. Precisamos nos unir, ver o que temos em comum,procurar corrigir o que possamos estar fazendo de errado, precisamos ter humildade para procurar uns aos outros, pedir ajuda, orientação. Precisamos entender que abaixo de Olorum, todos nós somos filhos. Deixemos de lado nossas vaidades para que possamos usufruir tudo de bom que as divindades tem para nos oferecer.
O Terceiro passo :seria a legalização dos templos espíritas, para que assim todos os irmãos possam usufruir dos benefícios que uma instituição devidamente legalizada pode nos trazer.
Por que instituirmos a “Nação Afro-brasileira?” Desde o início dos tempos o homem deu ao criador diversos nomes : Olorum, Geová , Javé , Alah , Deus e tantos outros. No Brasil –país que em sua formação teve influência européia, africana e indígena encontramos diversos seguimentos religiosos, conseqüentemente, diversos nomes para O CRIADOR. O que não podemos esquecer é que O CRIADOR é um só, nós é que lhe damos nomes de acordo com a nossa fé, e temos que observar que perante à ele somos todos irmãos. Todos nós , filhos do criador, temos um poder que pode nos libertar de todos os problemas relacionados a questões espirituais e de muitos problemas ligados a questões materiais. Este poder está intimamente ligado à nação Afro-brasileira. Estou falando de Odus, estou falando de divindades e entidades –Todos nós já ouvimos falar de Caboclos e outras entidades que com “passes” ou com remédios feitos de ervas curaram pessoas de doenças graves; todos nós já ouvimos falar de operações invisíveis, e quantos de nós já tivemos grandes conquistas após nos submetermos a ebós de Odus? Por que desprezar colaborações que podemos obter de outros segmentos religiosos?
O objetivo da nação Afro-brasileira é somar. Divididos nós já estamos, e por conta disso não temos toda força que poderíamos ter. Está na hora dos irmãos candomblecistas, umbandistas, Kardecistas , enfim, todos que se dizem espíritas, investirem na institucionalização da nação Afro-brasileira, pois só assim teremos força para mostrar ao mundo quantas coisas boas temos para oferecer.
Acé nú wé (paz e luz sempre)
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Paz
A paz está no dinamismo da vida, no trabalho, na esperança, na confiança, na fé... Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou... Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida...Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem...Ter paz é ter um coração que ama...Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos, ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas águas se espreguiçam...Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas...Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando é não que se quer dizer...Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade...
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer...
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar minhas próprias imperfeições...É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos... É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra... É admitir que nem sempre tenho razão e, mesmo que tenha, não brigar por ela... A paz que hoje trago em meu peito é a confiança Naquele que criou e governa o mundo...
Acé nú wé (paz e luz sempre)
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer...
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar minhas próprias imperfeições...É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos... É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra... É admitir que nem sempre tenho razão e, mesmo que tenha, não brigar por ela... A paz que hoje trago em meu peito é a confiança Naquele que criou e governa o mundo...
Acé nú wé (paz e luz sempre)
Nação Djedje
A palavra DJEJE vem do yorubá Adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Portanto, não existe e nunca existiu nenhuma nação Djeje, em termos políticos. O que é chamado de nação Djeje é o candomblé formado pelos povos Fons, vindos da região de Dahomé e pelos povos Mahins. Djeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste, porque os Mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram povos do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savê" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savê (tendo neste caso a ver com os povos Fons). O Abomei ficava no oeste, enquanto Axantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Djeje.
A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com um certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. Daí ficou "Dan Imé" ou "Dahomé", ou seja, aquele que morreu na Terra da Serpente. Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. Esse seria um dos significados encontrados: Dan = “serpente sagrada” e Homé = “a terra de Dan”, ou seja, Dahomé = “a terra da serpente sagrada”. Acredita-se ainda que o culto à Dan é oriundo do antigo Egito. Ali começou o verdadeiro culto à serpente, onde os Faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de cobra. Encontramos também Cleópatra com a figura da cobra confeccionada em platina, prata, ouro e muitos outros adornos femininos. Então, posso dizer que este culto veio descendo do Egito até Dahomé.
Dialetos falados:
Os povos Djejes se enumeravam em muitas tribos e idiomas, como: Axantis, Gans, Agonis, Popós, Crus, etc. Portanto, teríamos dezenas de idiomas para uma tribo só, ou seja, todas eram Djeje, o que foge evidentemente às leis da lingüística - muitas tribos falando diversos idiomas, dialetos e cultuando os mesmos Voduns. As diferenças vinham, por exemplo, dos Minas - Gans ou Agonis, Popós que falavam a língua das Tobosses.
Os primeiros no Brasil:
Os primeiros negros Djeje chegados ao Brasil entraram por São Luís do Maranhão e de São Luís desceram para Salvador, Bahia e de lá para Cachoeira de São Félix. Também ali, há uma grande concentração de povos Djeje. Além de São Luís (Maranhão), Salvador e Cachoeira de São Félix (Bahia), o Amazonas e bem mais tarde o Rio de Janeiro, foram lugares aonde encontram-se evidências desta cultura.
Muitos Voduns Jeje são originários de Ajudá. Porém, o culto desses Voduns só cresceu no antigo Dahomé. Muitos desses Voduns não se fundiram com os Orixás Nagôs e desapareceram totalmente. O culto da serpente Dan-gbi é um exemplo, pois ele nasceu em Ajudá, foi para o Dahomé, atravessou o Atlântico e foi até as Antilhas.
Quanto a classificação dos Voduns Djeje, por exemplo, no Djeje Mahin tem-se a classificação do povo da terra, ou os Voduns Caviunos, que seriam os Voduns Azanssun, Nanã e Bessem. Temos, também, o Vodun chamado Ayzain que vem da nata da terra. Este é um Vodun que nasce em cima da terra. É o Vodun protetor da Azan, onde Azan quer dizer "esteira", em Djeje. Achamos em outro dialeto Djeje, o dialeto Gans-Crus, também o termo Zenin ou Azeni ou Zani e ainda o Zoklé. Ainda sobre os Voduns da terra encontramos Loko. Ele apesar de estar ligado aos astros e a família de Heviosso, também está na família Caviuno, porque Loko é árvore sagrada; é a gameleira branca, que é uma árvore muito importante na Nação Djeje. Seus filhos são chamados de Lokoses. Ague e Azaká são também um Voduns Caviunos. A família Heviosso é encabeçada por Badë, Acorumbé, também filho de Sogbô, chamado de Runhó. Mawu-Lissá seria o orixá Oxalá dos yorubás. Sogbô também tem particularidade com o Orixá em Yorubá, Xangô, e ainda com o filho mais velho do Deus do trovão que seria Averekete, que é filho de Ague e irmão de Anaite. Anaite seria uma outra família que viria da família de Aziri, pois são as Aziris ou Tobosses que viriam a ser as Yabás dos Yorubás, achamos assim Aziri Tobosse. Descrevemos o Djeje de um modo geral, não especificamente o Mahin, mas das famílias que englobam o Mahin e também outras famílias Djeje.
A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com um certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. Daí ficou "Dan Imé" ou "Dahomé", ou seja, aquele que morreu na Terra da Serpente. Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. Esse seria um dos significados encontrados: Dan = “serpente sagrada” e Homé = “a terra de Dan”, ou seja, Dahomé = “a terra da serpente sagrada”. Acredita-se ainda que o culto à Dan é oriundo do antigo Egito. Ali começou o verdadeiro culto à serpente, onde os Faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de cobra. Encontramos também Cleópatra com a figura da cobra confeccionada em platina, prata, ouro e muitos outros adornos femininos. Então, posso dizer que este culto veio descendo do Egito até Dahomé.
Dialetos falados:
Os povos Djejes se enumeravam em muitas tribos e idiomas, como: Axantis, Gans, Agonis, Popós, Crus, etc. Portanto, teríamos dezenas de idiomas para uma tribo só, ou seja, todas eram Djeje, o que foge evidentemente às leis da lingüística - muitas tribos falando diversos idiomas, dialetos e cultuando os mesmos Voduns. As diferenças vinham, por exemplo, dos Minas - Gans ou Agonis, Popós que falavam a língua das Tobosses.
Os primeiros no Brasil:
Os primeiros negros Djeje chegados ao Brasil entraram por São Luís do Maranhão e de São Luís desceram para Salvador, Bahia e de lá para Cachoeira de São Félix. Também ali, há uma grande concentração de povos Djeje. Além de São Luís (Maranhão), Salvador e Cachoeira de São Félix (Bahia), o Amazonas e bem mais tarde o Rio de Janeiro, foram lugares aonde encontram-se evidências desta cultura.
Muitos Voduns Jeje são originários de Ajudá. Porém, o culto desses Voduns só cresceu no antigo Dahomé. Muitos desses Voduns não se fundiram com os Orixás Nagôs e desapareceram totalmente. O culto da serpente Dan-gbi é um exemplo, pois ele nasceu em Ajudá, foi para o Dahomé, atravessou o Atlântico e foi até as Antilhas.
Quanto a classificação dos Voduns Djeje, por exemplo, no Djeje Mahin tem-se a classificação do povo da terra, ou os Voduns Caviunos, que seriam os Voduns Azanssun, Nanã e Bessem. Temos, também, o Vodun chamado Ayzain que vem da nata da terra. Este é um Vodun que nasce em cima da terra. É o Vodun protetor da Azan, onde Azan quer dizer "esteira", em Djeje. Achamos em outro dialeto Djeje, o dialeto Gans-Crus, também o termo Zenin ou Azeni ou Zani e ainda o Zoklé. Ainda sobre os Voduns da terra encontramos Loko. Ele apesar de estar ligado aos astros e a família de Heviosso, também está na família Caviuno, porque Loko é árvore sagrada; é a gameleira branca, que é uma árvore muito importante na Nação Djeje. Seus filhos são chamados de Lokoses. Ague e Azaká são também um Voduns Caviunos. A família Heviosso é encabeçada por Badë, Acorumbé, também filho de Sogbô, chamado de Runhó. Mawu-Lissá seria o orixá Oxalá dos yorubás. Sogbô também tem particularidade com o Orixá em Yorubá, Xangô, e ainda com o filho mais velho do Deus do trovão que seria Averekete, que é filho de Ague e irmão de Anaite. Anaite seria uma outra família que viria da família de Aziri, pois são as Aziris ou Tobosses que viriam a ser as Yabás dos Yorubás, achamos assim Aziri Tobosse. Descrevemos o Djeje de um modo geral, não especificamente o Mahin, mas das famílias que englobam o Mahin e também outras famílias Djeje.
Nações
A palavra nação é usada no candomblé para distinguir seus segmentos, diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, o toque dos atabaques, a liturgia. A nação também indica a procedência dos escravos que lhe deram origem na nova terra e das divindades por eles cultuadas.
As civilizações sudanesas, por exemplo, são representadas pelo grupo yorubá, também conhecido como Nagô, por sua vez representado pelas nações:
Ketu
Efan
Ijexá
Nagô Egbá
Batuque do Rio Grande do Sul
Xambá de Pernambuco
O grupo dos daomeanos é representado pelas nações Djeje:
Fon
Éwé
Mina
Fanti
Ashanti
e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, Timini.
As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.
As civilizações bantos do grupo angola-congolês são representadas pelos ambundas de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaira e os benguela com diversas tribos escravizadas.
As civilizações bantu da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:
Candomblé Bantu:
Angola
Congo
Cabinda
No começo do período escravagista, todos os escravos vindos da África eram chamados de negros de Guiné, pois no século XVI a Guiné se estendia de Senegal a Orange. Esses guinés deveriam ser autênticos bantus.
A escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos. O africano, com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem.
Guardiões da cultura oral, os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda.
O silêncio, o segredo (calundus) e o isolamento armado em quilombos e mocambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia.
A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontram portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias e santidades, locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.
As civilizações sudanesas, por exemplo, são representadas pelo grupo yorubá, também conhecido como Nagô, por sua vez representado pelas nações:
Ketu
Efan
Ijexá
Nagô Egbá
Batuque do Rio Grande do Sul
Xambá de Pernambuco
O grupo dos daomeanos é representado pelas nações Djeje:
Fon
Éwé
Mina
Fanti
Ashanti
e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, Timini.
As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.
As civilizações bantos do grupo angola-congolês são representadas pelos ambundas de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaira e os benguela com diversas tribos escravizadas.
As civilizações bantu da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:
Candomblé Bantu:
Angola
Congo
Cabinda
No começo do período escravagista, todos os escravos vindos da África eram chamados de negros de Guiné, pois no século XVI a Guiné se estendia de Senegal a Orange. Esses guinés deveriam ser autênticos bantus.
A escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos. O africano, com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem.
Guardiões da cultura oral, os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda.
O silêncio, o segredo (calundus) e o isolamento armado em quilombos e mocambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia.
A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontram portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias e santidades, locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Sou Ekedi
A palavra “ajoié” é correspondente feminino de ogan, pois, a palavra ekedi, ou ekejí, vem do dialeto ewe, falado pelos negros fons ou Jeje. Portanto, o correspondente yorubá de ekedi é ajoié, onde a palavra ajoié significa “mãe que o Orixá escolheu e confirmou”. Assim como os demais oloyés, uma ajoié tem o direito a uma cadeira no barracão. Deve ser sempre chamada de “mãe”, por todos os componentes da casa de Orixá, devendo-se trocar com ela pedidos de bençãos. Os comportamentos determinados para os ogans devem ser seguidos pelas ajoiés. Em dias de festa, uma ajoié deverá vestir-se com seus trajes rituais, seus fios de contas, um ojá na cabeça e trazendo no ombro sua inseparável toalha, sua principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa. A toalha de uma ajoié destina-se, entre outras coisas, a enxugar o rosto dos omo-Orixás manifestados. Uma ajoié ainda é responsável pela arrumação e organização das roupas que vestirão os omo-Orixás nos dias de festas, como também, pelos ojás que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias. Mas, a tarefa de uma ajoié não se restringe apenas a cuidar dos Orixás, roupas e outras coisas. Uma ajoié também é porta-voz do Orixá em terra. É ela que em muitas das vezes transmite ao Babalorixá ou Yalorixá o recado deixado pelo próprio Orixá da casa. No Candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá". Já na Nação de Angola, é chamada de "makota de angúzo". Mas, "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil, seja qual for a Nação.
sábado, 12 de junho de 2010
Seja bem vindo!
Meu nome é Márcia Marinho, no candomblé, Ekedi Márcia de Azanssun. Sou Ekedi confirmada por Obá Kossô, sou do Axé Kwe Lossu, do Doté Heraldo de Xangô.
Criei este Blogger com o objetivo de partilhar experiências com os irmãos seguidores e simpatizantes do culto, e também irmãos de outras denominações que queiram falar de fé, sem discutir diferenças.
Que as boas energias que existem entre o Ayê (terra) e o Orun (céu) estejam sempre contigo. Axé.
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